domingo, 7 de agosto de 2011

Espera

O corpo singra de forma desordenada
Indo de um canto a outro da imaginação.
O mesmo se repete sem consciência da percepção no foco material,
Mas isto não quer dizer nada!

Não se dá conta do tempo
E quando o que se espera está perto
Parece uma eternidade a aproximação...
Angústia e um misto de desejo inunda a mente perturbada.

O estímulo e a busca se confundem e
mostra o caminho a seguir.
A educação; aquela que insiste em tornar tudo mais difícil nestes casos
Fazem o principio da angústia aumentarem à medida que o desejo aumenta.

As horas tripudiam sobre o pensamento
E dobram ininterruptamente a vontade
Daquele que deseja....
E o peso do cansaço arqueia o corpo que desvanece.....em sonhos!

Corpo inerte, absorvido no lusco-fusco
da inconsciência, não percebe a distância entre
o desejo e a consequência...
Até que o despertar se apressa a chegar...

Mas não vem só.
Acompanha-o o motivo da angústia.

E como se fosse a próxima cena do sonho...
Impulsiona-o o desejo à excitação matutina.
Descrever o que vem a seguir seria pecar contra a poesia,
atacá-la sem piedade em sua crueza e doçura.

Mas o que pode se dizer
É que o corpo que sofrera
Não mais teme a ansiedade e o murmúrio da dor entre as vísceras...
Agora aconchega-se a direita no motivo da angústia e mais uma vez se entrega ao cansaço.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Troços e traças.

Dia destes me peguei mexendo em coisas velhas!
Todas traziam um que de mofo, bolor ou mesmo de poeira.
Estava em meu sótão pessoal.
Nele esconde-se todas as mazelas de minh'alma
todas as tristezas de uma vida inteira;
todas as maledicenças que um dia pensei;
todas as frustrações que senti e experimentei;
todos os insucessos que vivenciei;
todos os foras que levei;
todas os amores que perdi.

Como não pude deixar de notar
ali estava todo o peso que levo em minha bagagem.
Pesada e densa como a vida deveria ser;
arqueada e desorganizada como qualquer quarto de despejo.

Mas não desanimei. Peça por peça
fui remexendo em tudo. Rinite a parte, o que sentia em cada objeto era indizível!
Cada pedaço, cada coisa que tocava tinha significado;
Cada espaço que revirava, trazia à lembrança intensidade e deleite;
mesmo que tenha sido de sofrimento, porque pertencera a mim.

Demorei horas como sempre um faxina tem que ser;
Mas de certo não terminei.
Porque mexer em troços e traças drena energia,
desvanece, emsimesmece, e por vezes entristece.

Desci do sótão.
Lembrei que além dele, havia meu porão...
Uma onda de temor rompeu meu devaneio...

Se no sótão descrobri troços e traças.....



29 de junho de 2011 - 22h29m
Guilherme Dias

sábado, 11 de junho de 2011

Devaneios de outono.

Dia destes me peguei fugindo!
Nem sabia para onde, mas parecia ser o certo a fazer.
Corpo parado, mente a quilômetros de onde ele estava.
Como é maravilhoso o imaginário!

Não fui longe, mas o bastante para não me ver mais;
para não conseguir me seguir até lá...
Onde, nem mesmo sabia;
mas preferi não imaginar onde seria, para não seguir-me.

O lugar para onde fui não é possível descrever...
Revelaria-me muito intensamente e intimamente...
Mesmo se fosse com poucos detalhes...
Seria descoberto por aqueles que também foge!

Durou pouco a fuga.
Tempo suficiente para investigar um pouco mais do meu eu;
Explorar as possibilidades de meus sentimentos;
Aproveitar um pouco mais de mim mesmo!

As imagens e situações singravam com tanta velocidade
que só imaginando, para vê-las, entendê-las;
Somente sendo parte deste todo que sou eu e de repente do nada:
Abri os olhos!

Guilherme Dias
11 de junho de 2011 - 21h09 (uma noite fria de outono, toca na cabeça e o pensamento regado, creiam a música de balada.rsss)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rosa

Ponta de facão.
Luz de prata nos olhos: medo.
Assim é o desprazer. Quando aprende o manejo do corte,
Menino, aprende a se defender.

Arraia, a praia, o gozo.
A vida, o sopro, o sorriso.
A frase, o gesto.

Quando o menino aprende, ele vive.
Vai menino, que teu medo acabou;
Busca no meio do céu, a pipa, a alegria
Que a vida roubou.

Guilherme Dias -
1992

sábado, 28 de maio de 2011

Devaneios numa tarde qualquer de verão.

Cai a tarde.
Os olhos semicerrados revelam o peso
Que preenche duramente a linha do tempo.

Pálpebras pesadas então,
O corpo deixa-se adormecer languidamente.
Um último suspiro faz o anúncio.

O que parecia ser algo duradouro
Acaba-se como num átmo.
Num sobressalto de rigidez, a luz volta intensa às retinas cansadas.

E assim, corpo e pensamento
Permanecem singrando entre
O dia e a noite interior.

Mas, o que é rígido, é rígido.
E corpo, e pensamento enganam
A linha do tempo. Até quando?

E margeiam a vida e a labuta
Que incessantemente os provoca
Tal qual a morte faz à vida.

Um som surdo alerta:
O coração bate até o último suspiro
E ardor das manhãs anunciadas pelo inimigo vil: o tempo.

Guilherme Dias

13/10/2007.

domingo, 22 de maio de 2011

Círculos de criança.

Círculos povoam o olhar da criança
Uma dança quase voluptuosa enche-lhe
E extasia-lhe por dentro e por fora.

Oferece-lhe, a vida, um rico banquete.
Regado a alegrias simples de uma tarde agradável;

Dum sonho alimentado em conversas
Ora realistas demais, superegóicas;
Ora Id otas demais!

Mas a criança não se importou muito.
Com o pai posto à sua frente
E sem pudor, sem um pingo de censura, refestelou-se.

Sorriu a sorrisos largos,
Suspirou longamente e por fim,
Deixou-se levar pela doce preguiça vespertina.

Mas a criança já tem olhos de adulto,
Ares de adulto e pior,
A cela particular que todo adulto constrói em volta de si.

Desperta da preguiça serena
E olha os outros círculos que povoam o seu olhar;
E uma lágrima triste molha o seu rosto.


Guilherme Dias

13/07/2007

sábado, 21 de maio de 2011

Presunção

Hoje pude ver por outros olhos o que outros olhos não puderam ver.
Porque nem todos os olhos vêem o que os meus e os olhos dos outros vêem!

Hoje pude sentir através de outros sentimentos;
O que outros corações não puderam sentir.
Porque nem todos os corações sentem o que o meu coração e o coração dos outros sentem.

Por isto só uma lágrima rolou do meu olho esquerdo.

Por isto apenas uma vez minha garganta embargou com um laço forte.

Por isto meu peito apertou só um pouco, mas o bastante para senti-lo.

Por isto, meus olhos e meu coração se envolveram e assim ficaram pelo tempo suficiente para eu ver e sentir o que os outros não verão e não sentirão.

Por isto, somente isto e só desta vez, presumo que seja único...

Só desta vez.

Guilherme Dias

13/10/2007