" Com as desculpas ao grande escritor Drumond de Andrade, ousei fazer também o meu Elefante"
Faço um Elefante.
De pedaços de coisas, caixotes, madeira velha;
De restos de sentimentos, desejos.
Uso algodão e restos de panos e bandagem e esparadrapos.
Monte de pregos, sarrafos.
Seus fortes pés de cimento; carcaça forte de meu viver.
As pernas com madeira velha, como velhos são meus sonhos.
O corpo rijo de emoções contidas faço de caixotes e pregos
para fotalecer meu corpo de madeiras fracas, de sentimentos volúveis.
Preencho meu corpo - caixotes - de algodão, lágrimas
Sensíveis de meu interior sempre ferido.
Cubro o corpo com bandagem e cerco-a com esparadrapo
como fechadas são minhas ações.
Dos restos de panos, construo a trombra,
Desigual e amorfa como meu ser interior se sente.
Feito meu Elefante, falta a cauda, por onde me seguram, me privam
E por isto, meu Elefante fica sem cauda;
Por que ele vai sem censura, titubeante, mas seguro por si, se não, de si.
Pronto, meu Elefante sai e com ele me vou;
Minhas emoções, meus objetivos, minhas afeições, meus medos;
Atravessa nas praças cambaleante, sem direção definida
Sem passos certos, sem horizontes concretos.
Eu e meu Elefante - nos passos, semelhantes - no objetivo, congruentes;
Mas na vida, diferentes; no viver inseguro deste Elefante.
E então, meu Elefante no final da tarde, volta.
Depois de ter mostrado sua forma amorfa, seu corpo balofo e desleixado,
sua personalidade indefinida, seu peso rastejante pelas suas composições
se esfacelando a cada tombo;
A cada passo mal dado, a cada comida mal ingerida, de um pensamento mal formulado.
E aí, caindo a tarde ele vem em passos pesados, cabeça baixa,
sem estrutura, sem elegância, mas meu Elefante volta
Derrotado, porém sempre para dentro de si, por si mesmo.
E entrando a noite, peça por peça desmonto meu Elefante
E ai me vou destruindo no íntimo numa carência insustentável.
E minha cauda se foi para sempre com o meu Elefante
Sua trombra, seu corpo, seu trejeito
Meu Elefante...
Agosto de 1987
domingo, 2 de outubro de 2011
domingo, 7 de agosto de 2011
Espera
O corpo singra de forma desordenada
Indo de um canto a outro da imaginação.
O mesmo se repete sem consciência da percepção no foco material,
Mas isto não quer dizer nada!
Não se dá conta do tempo
E quando o que se espera está perto
Parece uma eternidade a aproximação...
Angústia e um misto de desejo inunda a mente perturbada.
O estímulo e a busca se confundem e
mostra o caminho a seguir.
A educação; aquela que insiste em tornar tudo mais difícil nestes casos
Fazem o principio da angústia aumentarem à medida que o desejo aumenta.
As horas tripudiam sobre o pensamento
E dobram ininterruptamente a vontade
Daquele que deseja....
E o peso do cansaço arqueia o corpo que desvanece.....em sonhos!
Corpo inerte, absorvido no lusco-fusco
da inconsciência, não percebe a distância entre
o desejo e a consequência...
Até que o despertar se apressa a chegar...
Mas não vem só.
Acompanha-o o motivo da angústia.
E como se fosse a próxima cena do sonho...
Impulsiona-o o desejo à excitação matutina.
Descrever o que vem a seguir seria pecar contra a poesia,
atacá-la sem piedade em sua crueza e doçura.
Mas o que pode se dizer
É que o corpo que sofrera
Não mais teme a ansiedade e o murmúrio da dor entre as vísceras...
Agora aconchega-se a direita no motivo da angústia e mais uma vez se entrega ao cansaço.
Indo de um canto a outro da imaginação.
O mesmo se repete sem consciência da percepção no foco material,
Mas isto não quer dizer nada!
Não se dá conta do tempo
E quando o que se espera está perto
Parece uma eternidade a aproximação...
Angústia e um misto de desejo inunda a mente perturbada.
O estímulo e a busca se confundem e
mostra o caminho a seguir.
A educação; aquela que insiste em tornar tudo mais difícil nestes casos
Fazem o principio da angústia aumentarem à medida que o desejo aumenta.
As horas tripudiam sobre o pensamento
E dobram ininterruptamente a vontade
Daquele que deseja....
E o peso do cansaço arqueia o corpo que desvanece.....em sonhos!
Corpo inerte, absorvido no lusco-fusco
da inconsciência, não percebe a distância entre
o desejo e a consequência...
Até que o despertar se apressa a chegar...
Mas não vem só.
Acompanha-o o motivo da angústia.
E como se fosse a próxima cena do sonho...
Impulsiona-o o desejo à excitação matutina.
Descrever o que vem a seguir seria pecar contra a poesia,
atacá-la sem piedade em sua crueza e doçura.
Mas o que pode se dizer
É que o corpo que sofrera
Não mais teme a ansiedade e o murmúrio da dor entre as vísceras...
Agora aconchega-se a direita no motivo da angústia e mais uma vez se entrega ao cansaço.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Troços e traças.
Dia destes me peguei mexendo em coisas velhas!
Todas traziam um que de mofo, bolor ou mesmo de poeira.
Estava em meu sótão pessoal.
Nele esconde-se todas as mazelas de minh'alma
todas as tristezas de uma vida inteira;
todas as maledicenças que um dia pensei;
todas as frustrações que senti e experimentei;
todos os insucessos que vivenciei;
todos os foras que levei;
todas os amores que perdi.
Como não pude deixar de notar
ali estava todo o peso que levo em minha bagagem.
Pesada e densa como a vida deveria ser;
arqueada e desorganizada como qualquer quarto de despejo.
Mas não desanimei. Peça por peça
fui remexendo em tudo. Rinite a parte, o que sentia em cada objeto era indizível!
Cada pedaço, cada coisa que tocava tinha significado;
Cada espaço que revirava, trazia à lembrança intensidade e deleite;
mesmo que tenha sido de sofrimento, porque pertencera a mim.
Demorei horas como sempre um faxina tem que ser;
Mas de certo não terminei.
Porque mexer em troços e traças drena energia,
desvanece, emsimesmece, e por vezes entristece.
Desci do sótão.
Lembrei que além dele, havia meu porão...
Uma onda de temor rompeu meu devaneio...
Se no sótão descrobri troços e traças.....
29 de junho de 2011 - 22h29m
Guilherme Dias
Todas traziam um que de mofo, bolor ou mesmo de poeira.
Estava em meu sótão pessoal.
Nele esconde-se todas as mazelas de minh'alma
todas as tristezas de uma vida inteira;
todas as maledicenças que um dia pensei;
todas as frustrações que senti e experimentei;
todos os insucessos que vivenciei;
todos os foras que levei;
todas os amores que perdi.
Como não pude deixar de notar
ali estava todo o peso que levo em minha bagagem.
Pesada e densa como a vida deveria ser;
arqueada e desorganizada como qualquer quarto de despejo.
Mas não desanimei. Peça por peça
fui remexendo em tudo. Rinite a parte, o que sentia em cada objeto era indizível!
Cada pedaço, cada coisa que tocava tinha significado;
Cada espaço que revirava, trazia à lembrança intensidade e deleite;
mesmo que tenha sido de sofrimento, porque pertencera a mim.
Demorei horas como sempre um faxina tem que ser;
Mas de certo não terminei.
Porque mexer em troços e traças drena energia,
desvanece, emsimesmece, e por vezes entristece.
Desci do sótão.
Lembrei que além dele, havia meu porão...
Uma onda de temor rompeu meu devaneio...
Se no sótão descrobri troços e traças.....
29 de junho de 2011 - 22h29m
Guilherme Dias
sábado, 11 de junho de 2011
Devaneios de outono.
Dia destes me peguei fugindo!
Nem sabia para onde, mas parecia ser o certo a fazer.
Corpo parado, mente a quilômetros de onde ele estava.
Como é maravilhoso o imaginário!
Não fui longe, mas o bastante para não me ver mais;
para não conseguir me seguir até lá...
Onde, nem mesmo sabia;
mas preferi não imaginar onde seria, para não seguir-me.
O lugar para onde fui não é possível descrever...
Revelaria-me muito intensamente e intimamente...
Mesmo se fosse com poucos detalhes...
Seria descoberto por aqueles que também foge!
Durou pouco a fuga.
Tempo suficiente para investigar um pouco mais do meu eu;
Explorar as possibilidades de meus sentimentos;
Aproveitar um pouco mais de mim mesmo!
As imagens e situações singravam com tanta velocidade
que só imaginando, para vê-las, entendê-las;
Somente sendo parte deste todo que sou eu e de repente do nada:
Abri os olhos!
Guilherme Dias
11 de junho de 2011 - 21h09 (uma noite fria de outono, toca na cabeça e o pensamento regado, creiam a música de balada.rsss)
Nem sabia para onde, mas parecia ser o certo a fazer.
Corpo parado, mente a quilômetros de onde ele estava.
Como é maravilhoso o imaginário!
Não fui longe, mas o bastante para não me ver mais;
para não conseguir me seguir até lá...
Onde, nem mesmo sabia;
mas preferi não imaginar onde seria, para não seguir-me.
O lugar para onde fui não é possível descrever...
Revelaria-me muito intensamente e intimamente...
Mesmo se fosse com poucos detalhes...
Seria descoberto por aqueles que também foge!
Durou pouco a fuga.
Tempo suficiente para investigar um pouco mais do meu eu;
Explorar as possibilidades de meus sentimentos;
Aproveitar um pouco mais de mim mesmo!
As imagens e situações singravam com tanta velocidade
que só imaginando, para vê-las, entendê-las;
Somente sendo parte deste todo que sou eu e de repente do nada:
Abri os olhos!
Guilherme Dias
11 de junho de 2011 - 21h09 (uma noite fria de outono, toca na cabeça e o pensamento regado, creiam a música de balada.rsss)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Rosa
Ponta de facão.
Luz de prata nos olhos: medo.
Assim é o desprazer. Quando aprende o manejo do corte,
Menino, aprende a se defender.
Arraia, a praia, o gozo.
A vida, o sopro, o sorriso.
A frase, o gesto.
Quando o menino aprende, ele vive.
Vai menino, que teu medo acabou;
Busca no meio do céu, a pipa, a alegria
Que a vida roubou.
Guilherme Dias -
1992
sábado, 28 de maio de 2011
Devaneios numa tarde qualquer de verão.
Cai a tarde.
Os olhos semicerrados revelam o peso
Que preenche duramente a linha do tempo.
Pálpebras pesadas então,
O corpo deixa-se adormecer languidamente.
Um último suspiro faz o anúncio.
O que parecia ser algo duradouro
Acaba-se como num átmo.
Num sobressalto de rigidez, a luz volta intensa às retinas cansadas.
E assim, corpo e pensamento
Permanecem singrando entre
O dia e a noite interior.
Mas, o que é rígido, é rígido.
E corpo, e pensamento enganam
A linha do tempo. Até quando?
E margeiam a vida e a labuta
Que incessantemente os provoca
Tal qual a morte faz à vida.
Um som surdo alerta:
O coração bate até o último suspiro
E ardor das manhãs anunciadas pelo inimigo vil: o tempo.
Guilherme Dias
13/10/2007.
domingo, 22 de maio de 2011
Círculos de criança.
Círculos povoam o olhar da criança
Uma dança quase voluptuosa enche-lhe
E extasia-lhe por dentro e por fora.
Oferece-lhe, a vida, um rico banquete.
Regado a alegrias simples de uma tarde agradável;
Dum sonho alimentado em conversas
Ora realistas demais, superegóicas;
Ora Id otas demais!
Mas a criança não se importou muito.
Com o pai posto à sua frente
E sem pudor, sem um pingo de censura, refestelou-se.
Sorriu a sorrisos largos,
Suspirou longamente e por fim,
Deixou-se levar pela doce preguiça vespertina.
Mas a criança já tem olhos de adulto,
Ares de adulto e pior,
A cela particular que todo adulto constrói em volta de si.
Desperta da preguiça serena
E olha os outros círculos que povoam o seu olhar;
E uma lágrima triste molha o seu rosto.
Guilherme Dias
13/07/2007
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