domingo, 20 de novembro de 2022

 

Caminhos...

 

O caminho que se mostra à frente é brando e tranquilo.

Uma alameda florida aponta o caminho que devemos seguir.

O aroma que emana durante a caminhada traduz a sensação que experimentamos ao ter no colo uma nova vida: um odor adocicado e suave que nos acalenta e acalma.

A beleza do local, suas cores, sua silhueta causam aos olhos uma indizível sensação de bem estar..

Olhei profundamente tudo o que meus olhos podiam alcançar e me perdi em cada detalhe daquilo que minhas retinas atingiam e tocavam.

Cada luz em suas diversas matizes tocando em meu cristalino inundando de uma beleza indizível as terminações nervosas que abriam a minha ainda parca compreensão.

A minha volta, sons, dos mais belos arranjos e modulações, tomavam a minha percepção sensorial, assistindo-me com uma reação de contentamento, que não conseguiria explicar.

Ao caminhar, tocava as arboríferas e gramíneas com minhas mãos e pés descalços, e as sensações experimentadas nunca existira em minhas memórias sensoriais. Experimentava sensações nunca dantes vividas.

Sempre pensava: quanto amor de Deus ainda por experimentar, vivescer?

Me dei conta da grandeza D’Ele e o quanto ainda teremos que caminhar em direção à sua morada para que possamos aproximar do seu significado em cada um de nós.

Conclui que é apenas um pequeno e próprio raciocínio que Deus é a vivescência que cada um possui em seu estado material, moral e essencial.

Por esta razão amigos, os convido a vivescer Deus em suas atuais essências e a continuar a buscar a grandeza D’Ele ao evoluir em direção a sua morada bendita.

Fiquem com Deus.

 

Psicografia recebida em 16-07-2017 – CE Herculano Pires

 

“O JARDIM”

 

O Sol olhava fixo com seus raios a pequena área à sua frente e abaixo de si.

Preocupado com o que via, chamou para junto de si uma Nuvem e pediu firme, mas docemente para que ela ali derramasse seu frescor e liquidez.

A Nuvem levemente ouviu, analisou e abnegada começou a descer, mas lembrou que onde deveria derramar suas lágrimas balsamizantes era árido e duro.

Daí a Nuvem chamou a Terra e suavemente como se movia, sussurrou aos ouvidos da mãe terna se ela poderia abrir-se e aceitar as doces lágrimas restauradoras que pretendia lançar ali.

A Terra, ali, árida e dura se viu em maus lençóis e com sulcos de rugas em seu perfil, chamou o Homem e disse ruidosamente, mas firme e com a importância de uma anciã, lavra-me senhor e creia que de mim terá frutos.

O Homem, incrédulo porque já fizera de tudo balançou a cabeça e olhando para o alto pediu com fé, que sua mão fizesse a melhor cova, que a terra tivesse a melhor lavra, que a chuva viesse varrer a secura e o pó daquela área árida e estéril e que a luz irradiasse nos grãos e dali viesse frutos.

E assim se fez; Homem e Natureza se uniram para fazer do jardim do Pai ser frutificado e desta forma se mantivesse nos corações daqueles que aceitassem a mão do criador sobre si.

 

Assim seja!

 

Psicografia recebida em 18 de novembro de 2022 – CE Herculano Pires.

 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

 Por que me vejo só!?

Numa linha tênue entre ver ao longe e ver-se por dentro, vislumbro tantas e inúmeras coisas em minha trajetória que as vezes a pergunta me vem insistentemente à mente: Por que me vejo só!?

E por mais que busque a resposta não há eco que a ressoe e nem palavras que a exprimam; simplesmente ela reverbera sem barreiras em meu interior calejado e cansado....

Algumas lágrimas vem aos olhos teimosas querendo trazer aquele gosto salgado de mar às lembranças comezinhas do nosso existir e engulo seco, combato as sensações que brotam sem nenhuma explicação.

Algumas coisas não são como queremos e outras são quase nossos sonhos. Um paradoxo que só a vida escarnecida e vivida nos mostra, nos denuncia. Um espelho dentro do espelho que está dentro do espelho, projetando tantas possibilidades de uma mesma coisa.

Quanto podíamos ter evitado? Quantos choros podíamos ter desviado; quantos fracassos podíamos ter transformados; quantos deslizes podíamos ter colocado nos trilhos; quantas desditas podíamos ter delineados; quantos "foras" podíamos ter transmutados em histórias, mas daí vem o tal do livre arbítrio e por mais que tenhamos nos esforçado, tudo sai como teria que sair....

E assim, os amores passaram, as paixões minguaram, os sucessos ruíram, as conquistas findaram, a escrita apagou-se, a palavra se calou e ali sentado naquele banco de praça, próximo ao mar que insiste em embalar nossos pensamentos, devaneio tudo e todos em minha mente.

Minha mãe se foi, meu pai se foi, minha nora se foi, meus sonhos alguns, se foram. Para onde, não sei, mas as vezes, é fato, fica um vazio estranho que não gosto de ver transformado em lágrimas salgadas, mas hoje, por algum motivo aparentemente maior que não pude compreender, resolvi experimentar o gosto salgado deste vazio e falar sobre ele.

E daí veio a pergunta: Por que me vejo só!?

Não sei, vou esperar o trem passar, o ônibus passar, as horas passarem, o sol trocar de lugar com a lua, o nascer de novas pessoas em meu redor e continuar trilhando o que me prometi ainda em luz.....

Não me preocupo em responder a pergunta, mas vivê-la. Assim foi a forma que experimentei quase todas as coisas que tive até hoje, o conhecimento, a filiação, a irmandade, o coleguismo, a amizade e paternidade e a trajetória terrena como um todo.

Ao escrever, aquelas lágrimas teimosas vão se rareando e o que sobra é uma bola de "sei lá o que na garganta" que logo vai sumir também. Assim é a forma que lido com meus fantasmas interiores; convivo com eles até me acostumar com sua presença e de repente eles são partes integrantes de mim.

E a pergunta ainda sem resposta vai se tornando cada vez mais tênue para quem sabe em algum outro momento reminiscente de minha existência, venha me assombrar novamente....

Até breve!

23;28 de 28 de setembro de 2021.

domingo, 9 de abril de 2017

HORA 23 DE UM DIA NO FINAL DE VERÃO.

O principio de tudo consiste em absolutamente estar na hora certa, no lugar certo, em companhia das pessoas certas, para que se proceda ao inevitável, o óbvio: sua vida!

Assim é hoje, assim foi ontem e assim será amanhã até que homem seja homem, mulher seja mulher, local não se pereça em sua definição coloquial e o tempo, inverossímil em sua cadência infinita, não perca sua marcação em nossos destinos.

Às vezes certos devaneios transpassam nas mentes e vai se perder em algum lugar adormecido do cérebro, talvez um sótão ou porão que evitamos explorar por motivos burlescos, amedrontadores ou mesmo simplesmente, por que não parece ser necessário, mexer em arquivos mortos!

A música embala o pensamento, impulsiona a imaginação e paralelamente, empurra por necessidade os dedos para escrever sobre o sem nexo, prolixo ou desleixo. E nesta tentativa, perde-se o escritor, foge o poeta, tangencia o romancista. Sobra apenas a figurativa ideia do turvo, enevoado e titubeante pensamento sem sentido a descrever o momento.

Sombrio e denso, o imaginário tenta sair, o concreto, insiste em deixar suas mensagens, o criativo busca novas estruturas linguísticas, mas o que sobra, lá no fim é a prosódia.

Você não me ensinou a te esquecer, por isto não aprendi a me distanciar de sua figura que embala meus devaneios noturnos, embaralhados em imagens difusas, disfarçados em papéis sociais politicamente aceitos. Que merda! Até no sonho?

Sim, até no sonho. Como se não houvesse o direito de seguir em caminhos que pudessem ser realmente escolhas, não conveniências, figura de linguagem, caminho correto e coisas desta natureza.
Parece nos ser proibido a autenticidade, a naturalidade e a originalidade. Somos servos do politicamente correto, socialmente aceito e religiosamente perdoável.

Assim somos, como a bailarina perfeita, porque procurando bem, todos nós temos imperfeições. Procurando bem, temos falhas, desejos escusos, memórias nefastas, pequenos furtos, mesmo que inocentes; pecados descabidos inconfessáveis, pensamentos impuros e procurando bem, todos nós temos o germe da autenticidade, mas o perdemos!

Não, não podemos mais ficar aqui a esperar, que algo, que algum dia as coisas se alterem. Tomemos as rédeas, seguremos o volante de nossa viatura pessoal, nos apossemos do leme de esta nau em que nos transformamos e nos lancemos por ai.

Precisamos acabar logo com isto, precisamos lembrar que existimos que alteramos o rumo de nossas vidas; não podemos achar que somos pobres restos de esperanças a beira do caminho. Sigamos em frente, marchemos e que façamos com que aja alteração naquilo que propomos!

Mas não estamos para reclamar, por que declamar é melhor! Não estamos para maldizer, porque dizer sem sentido já uma penúria. Esta dor é nossa, não é de mais ninguém. Tudo esta vazio, às vezes pensamos que até nossa consciência também está.

Mas a dor é nossa, não é de mais ninguém. Nós temos a nossa dor, fique com sua; a dor é nossa, a dor é de quem tem. Então paremos de reclamar, declamemos sobre estas dores, estas alterações, estas mudanças e estes vazios imperiosos que surgem aos sábados à noite em frente às telas que hipnotizam e ampliam o mesmo vazio.

Assim nos perdemos mais uma vez em nossos devaneios. São batidas na porta da frente de nossas mentes. Bebemos um pouco para ter o que falar e escrever. O tempo zomba de nós e trafega na velocidade que ele deseja.

Recordamos os amores perdidos, diz para nós, o tempo, que somos iguais, que apaga os descaminhos, que atrasa nossas passadas para que possamos viver mais. Mas o tempo em certo momento tem inveja de nós, porque nós podemos esquecer, ele, ah, isto ele não pode.

Vem, mas demore a chegar. Talvez seja o segredo desta vida a espera pelo momento seguinte, a incerteza do porvir, todas as mazelas e alegrias, esperadas e previstas, improváveis em sua essência, mas inevitáveis. Destino ou escolhas aleatórias que atormentam a imaginação do poeta.

Só podemos saber que após as vinte e três horas e cinquenta e nove, vem às vinte quatro horas que ironicamente também é zero hora; crivando assim ou mesmo sentenciando o poder inenarrável deste atroz e implacável inimigo, o tempo!

E é assim, que se encerra o devaneio da hora vinte e três, com o soar dos últimos segundos, anunciando uma nova aventura na vida!

Quisera pudéssemos apenas apreciar o avanço dos segundos do relógio sem fardos humanos para nos conduzir, nos reduzir e nos impelir às mudanças, aos descaminhos e tudo o que é de "ser humano".

Um bom outro dia!!!



19 de março de 2017!

domingo, 9 de agosto de 2015

Cotidiana

Hoje é dia nove de agosto de 2015.

Comemora-se hoje o dia dos pais. Este dia como qualquer outro tem pouca importância para mim. Sou do tipo austero no que diz respeito a comemorações. Acredito em uma passagem com significados maiores que simplesmente seguir datas inseridas em nosso calendário para efeito de lembranças "comerciais".

Neste dia especialmente teria dois motivos para me render, estaria recebendo um pai especial junto a mim. E recebi no final do dia. Recebi um abraço caloroso e um beijo afetuoso como sempre recebi. Afinal de contas me orgulho de dizer aos amigos que ensinei ao meu filho a palavra "amo" quando ele mal pronunciava suas primeiras palavras.

Sabemos o que é compartilhar quando necessitamos fazer isto de fato e hoje compartilhei um sentimento profundo e denso que espero ainda e nutro em mim, seja apenas isto. Mas foi o bastante para mexer com fim de semana e de dia. 

Sinto-me sinto incapaz e sem ação como me senti na hora do abraço espontâneo do meu filho procurando amparo e apoio. 

Sempre desejei ser pai. Nutri isto desde tenra infância e ver meu filho sentir o pesar de uma possível perda trouxe em mim os sentimentos acima. 

Não fosse o tamanho, o teria pegado no colo como fiz várias vezes e o acalentaria e o protegeria. Parece que precisamos passar pelas coisas sempre para poder dizer sobre elas. Assim deve pensar e já pode dizer o meu pai que vai para os seus noventa e sete anos de vida e existência terrena.

Hoje vou dormir pensando o quanto somos frágeis na matéria, mesmo que saiba profundamente que aqui é uma passagem de aprendizagem e que nossa verdadeira vida não seja impregnada de dor, sofrimento e matéria.

Fico por aqui depois de muito tempo sem escrever. Grato por me permitirem dividir.

Fica ai mais um ato cotidiano.

sábado, 27 de abril de 2013

Prolegómenos

Não tenho certeza absoluta do que desejo escrever.

De fato, não tenho certeza de nada já há algum tempo. Especificamente desde que nasci, assim penso.

Não estou de fato tentando criar nada, nem tampouco inventar nada.

Faço aqui um ensaio de algo que está se transformando em minha mente.

Algo com um quê de matemática, física, química e filosofia.

Matemática, por que as coisas vão se somando dia a dia em minhas memórias formando uma imensa figura eneaedra quase indecifrável logicamente.

Fisicamente, porque se vai tomando a forma que permeia minhas batalhas e outras fábulas interiores.

Quimicamente, pela intrincada mistura e soluções que se formam em meu cérebro hormonal e quimiocênscio e finalmente filosófico, por estar ligado a uma essência de coisas e situações que se transformam dioturnamente em meu habitáculo mental.

Assim é, apenas prolegômenos de algo ainda não escrito, não dito, não sentido, não emocionado, não expresso, não pensado.

A origem de tudo e de nada ao mesmo tempo. Um átimo daquilo que farei, direi, sentirei, escreverei, emocionarei, expressarei, pensarei, mas ainda não fiz.

Apenas prolegômenos.

27/04/2013

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O peso da memória

Quando se tem um ano apenas, o que se guarda dentro de si talvez preencha um saco de pipoca, ou melhor, uma mamadeira. Isto considerando a idéia de que possa se medir memórias como se fosse ar enlatado.

Quando se tem cinco anos, podemos considerar o volume de uma bola de futebol, aquela que insistimos em utilizar pensando sermos um futuro craque da pelota, mas que no fundo algumas vezes serve apenas para nos aproximar socialmente e sermos um pouco mais aceitos.

Quando se tem dez anos, o volume de uma garrafa de coca-cola de dois litros serviria para guardar nossas memórias, uma vez que ela já começa a ser regada a feromônio e precisa de mais imaginação e empenho para manter aquelas imagens que achamos que nunca mais vamos esquecer.

Quando se tem quinze anos, já é necessário uma embalagem plástica com doze latinhas de cerveja de trezentos e cinquenta mililitros, uma vez que além dos feromônios, também já temos algumas mentiras sobre aquela vez em que pegamos aquela gata ou gato daquela forma naquele lugar e ai vai.

Aos vinte anos; ai sim, haja espaço. Mentiras sobre nossas pegações são inúmeras. Idéias e planos para o futuro, vários. Conversa jogada fora, diversas. Cenas quase inesquecíveis, mas que o tal do "Al" vai nos tirar um dia, um monte delas (somente para nós). Daí precisaremos de um engradado de cerveja, pois necessitamos de mais espaço fisico para guardar o já pesado fardo da memória juvenil.

Aos trinta anos, já temos mais que memória, temos fatos memoráveis: casamento e todos os quase desastres contidos desde o noivado até o fim da festa, incluindo a lua de mel. A chegada de cada um dos filhos. Seus primeiros passos, primeiros vômitos na sala que tivemos que limpar e por ai vai. Ai já pegamos emprestado o baú de brinquedo dos filhos que já avançam para a primeira base.

Aos quarenta, nos utilizamos do saco do Papai Noel. Sim, é necessário muito espaço e um pouco de mágica para suportar tanto desasossego, tanta noite mal dormida, tanto coito interrompido por choro e pedido de socorro no meio da madrugada, tantos pedidos não atendidos, tanto remédio comprado entre as duas e cinco da manhã (não sei porque ainda mas é sempre neste intervalo que as maiorias das mazelas corporais se apresentam), tanta história e estórias pelo meio do caminho, tanto sentimento, tanta emoção, tanta expressão, tanta saudade.

Mas ao chegar aos cinquenta, na realidade precisamos de muito pouco espaço.  Sim, muito pouco espaço e não é pelo fato de estarmos perdendo memória, não ainda; sim pelo fato de que nos deparamos com a constatação de que não tem mais nada a fazer do que se contentar com o tamanho dos nossos testículos inchados e enfadados com tanta coisa vivida; daí pude aos cinquenta anos entender finalmente o verdadeiro sentido da  expressão: TO DE SACO CHEIO.

domingo, 5 de agosto de 2012

Se eu fosse criar meu filho de novo

Estava preparando uma palestra e descobri este texto que resolvi partilhar com voces. Trata-se até de um texto meio que lugar comum, mas interessante para que possamos refletir sobre como estamos criando nossos filhos e como eles irão criar nossos netos.

Boa leitura.


Se eu fosse criar meu filho de novo

Se eu fosse criar meu filho de novo,

Faria mais pintura a dedo, em vez de apontar o dedo,

Seria menos corretivo e mais conectivo.


Olharia menos o relógio, e mais para ele.

Cuidaria menos de aprender, e aprenderia a cuidar mais dele.

Faria caminhadas, soltaria pipas.

Pararia de brincar de sério para brincar a sério.

Correria mais pelos campos e contemplaria mais  estrelas.

Daria mais abraços e menos broncas.

Construiria a auto-estima primeiro, e a casa depois.

Seria menos firme, e muito mais afirmativo.

Ensinaria menos sobre o amor ao poder,

E mais sobre o poder do amor.


Diane Loomans

domingo, 29 de janeiro de 2012

Inquirições I

O principal fato que marcou minha trajetória tanto pessoal quanto profissional foram a quantidade de perguntas que até hoje não obteve respostas. Sim, a grande maioria delas ainda são fonte de dúvidas em minha cabeça e minha consciência.

Vamos ao exemplo principal, a maioria das perguntas que fiz às mulheres que cercam a minha vida em geral são respondidas com olhares do tipo "vai me dizer que você ainda não entendeu" ou com aquelas viradas de canto de boca que quer dizer quase a mesma coisa. Isto sem contar o possível comentário: _ quer que seja mais clara. Enfim, sim, queria que elas fossem mais claras ou ainda melhor que elas realmente dissessem o que desejavam ou queriam. Constatação: em boa parte das perguntas, ainda aguardo a resposta.

Professores então; quantas foram as perguntas que ao contrário de se obter uma resposta satisfatória, o que obtive foi uma evasiva a ponto de eles mesmos em algum momento dizerem: _ voltando àquela pergunta, de fato vou analisar melhor e te responder. Ainda estou esperando o fim da análise.

No campo profissional, minha principal habilidade é saber qual pergunta fazer para sucitar a descoberta. Por mais que me qualifique e melhore esta habilidade, o que parece é que as respostas insistem em estar cada vez mais profundas e no âmago das almas humanas e sigo perseguindo a pergunta correta.

Aos filhos então , as perguntas as vezes soam como ofensas. Se eles vão sair, ao serem indagados sobre onde vão, parece desabar o teto de um shopping center. Indignados, antes de serem simples, passam um verdadeiro sermão da montanha sobre liberdade de expressão, o fato de já terem idade para decidirem e assumirem seus atos e blá, blá, blá; para depois responderem ao que foi indagado. Complicam o que é simples. A uma pergunta, segue-se uma resposta. Não tem nenhum ato conspiratório sobre cada pergunta que é feita.

Também não posso esquecer das perguntas que deveria ter feito aos meus pais. Até hoje não sei se eles me responderiam; a questão da cegonha; o fato de existir ou não Papai Noel, coelhinho da páscoa, lobisomem e outras fantasias que percorrem o imaginário infantil. Dormi com elas na infância e permaneço com elas até hoje.

E por fim, as principais perguntas que assombram a minha existência; as minhas próprias inquirições. Estas sim são e ainda serão meus fantasmas interiores. Todas as que fiz e ainda não consegui dar uma resposta; todas que ainda farei que muito com certeza não terão uma resposta imediata.

E nem digo as mais profundas, como "quem sou?"; "o que me trouxe a este mundo?"; "qual meu papel na sociedade?"; "de onde vim, para onde vou quando tudo materialmente acabar?"  entre outras. Falo das mais simples: por quê não fiz diferente muitas das coisas que fiz? por quê não fiz engenharia química ao contrário de Psicologia? por quê não fui para Índia estudar Medicina Ayurvédica? por quê não comprei um casebre numa cidadezinha de interior e fui cultivar para minha subsistência enquanto escrevia o livro da minha vida?

Enfim, há tantas perguntas mais simples que talvez não obtenha resposta que as vezes simplesmente paro aqui e escrevo um pouco sobre elas para ver se provoco um eco e elas reverberem em meu cérebro e como um insight simplesmente ME DESCUBRA.

Até breve!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Carreiras autônomas ou técnico/profissionais.

É comum em conversas cotidianas, fazerem-me perguntas quanto às carreiras profissionais e como desenvolvê-las. A verdade é que cada carreira tem peculiaridades que podem ser o diferencial na vida do profissional. Carreiras autônomas ou voltadas para a liberalidade, tais como representação comercial, vendedores ambulantes; na área técnica, engenheiros, arquitetos, psicólogos entre outras, tem características bem semelhantes e pretendo a seguir traçar algumas considerações sobre como alavancar tais segmentos profissionais.

O ponto principal de quase todas estas profissões é a falta de preparação para se tornar esse executivo pessoal. Muitas das vezes, a empresa é de um homem só. O próprio empreendedor coordena o negócio, mas não desenvolve um plano de carreira com base nesta decisão.

Uma das premissas de um bom empreendimento é conhecer profundamente seu negócio. Para este fim, recomenda-se o investimento em informação e dados pertinentes ao desenvolvimento da atividade. Não economize em cursos e treinamento que fortaleça sua trajetória.

De posse da sua decisão, planeje, planeje, planeje. Sim, não é exagero planejar. Esta é sem dúvida a melhor ferramenta que um profissional autônomo ou liberal tem a seu favor. O grande problema é que parte destes trabalhadores, não tem hábito, cultura ou sabem fazer isto.

Um planejamento estratégico pessoal, envolvendo aspectos pessoais e técnico/profissionais a serem desenvolvidos deve ser elaborado para nortear outras ferramentas. Realize também um plano de negócios e de gestão das suas atividades.

Subsídios para estes fins são encontrados no site do SEBRAE que inclusive disponibilizava até algum tempo atrás um modelo em sistema para montagem do plano de negócios. Também existem fóruns profissionais das diversas categorias que cumprem bem este papel.

Ter domínio do que faz não é o bastante, procure com as ferramentas desenvolvidas, controlar através de indicadores eficientes seus resultados. Bem utilizados, eles servirão de norteadores para revisão das estratégias e das ações de correção.

Administrar a própria profissão significa gerir a própria carreira profissional. Desta maneira, conseguirá ter uma visão bem clara do potencial profissional que poderá atingir e ter o controle de sua trajetória. Daí em diante é só ser um bom navegador e não perder de vista os portos.

Redes sociais e carreira profissional.

É fato consumado que as redes sociais vieram para ficar e cada vez mais invade nossas privacidades e nos expõem diante de todas as pessoas e os departamentos de Gestão de Pessoas vêm fazendo bom uso destes recursos para avaliação e descoberta de talentos e seleção de potenciais para as empresas. São vários os espaços disponíveis para a expansão destas redes, mas quem as utiliza e está no mercado de trabalho devem estar atentos a algumas regras de uso e envolvimento. Abaixo teceremos algumas considerações a respeito.

Elas fornecem a ampliação e o fortalecimento do network - rede de relacionamentos. O isolamento não é saudável nos dias de hoje. É uma das principais formas atualmente de manter-se atualizado e são diversas as ferramentas de relacionamento virtual.

Enquanto por um lado as empresas têm cada vez mais acesso a informações de seus candidatos, o mesmo ocorre quando este profissional busca informações sobre as empresas. Através da rede de contatos, as informações vêm à tona. Mas faça sempre um bom filtro.

Realizar trocas de informações com outros profissionais de sua área de atuação é um benefício valioso. Os fóruns de discussão, grupos de trocas de email nos meios corporativos e os portais específicos ampliam conhecimento e mantêm a atualização necessária

Mas tome cuidado com as formas de utilização destas redes. Procure selecionar suas participações e não se deixe levar por convites aleatórios. Confie e participe somente quando houver de fato algum ganho nesta troca. Dados irrelevantes podem gerar confusões.

As empresas utilizam-se cada vez mais da internet e dos portais de divulgação de vagas para alcançarem os talentos no mercado, e quando recrutados, pesquisam dados complementares ligados ao estudo do comportamento, cultura e relacionamentos nestas redes sociais.

Ampliação da visibilidade do profissional para o mercado e, conseqüentemente, aumento da empregabilidade também é uma causa da boa utilização destas redes, pois quem as utiliza bem, sai do anonimato e mostra-se ao mercado para análise e aproveitamento.

O baixo investimento e facilidade para se conectar além da ação das organizações é um atrativo a mais. Por outro lado, através das redes sociais, os profissionais que atuam na área de Gestão de Pessoas abrem espaço para que as empresas tornem-se transparentes e aumentem as chances de atrair novos talentos. Vale à pena explorar, sempre com bom senso.

sábado, 26 de novembro de 2011

Inquirições

O segredo da resposta está na pergunta que se faz.
Sofre o que busca resposta sem nem sequer expressar a pergunta que irá deflagrá-la

O exercício de perguntar é quase uma arte que poucos desenvolvem...
A razão: medo do que irá receber de resposta

Parece simples buscar respostas
O mesmo não pode ser dito às questões que irão suscitá-las.

Sutil e sibilina ao mesmo tempo uma pergunta pode significar
a diferença entre um "felizes para sempre" e um quadro sorumbático eterno;
um amargor que mesmo tendo suturas emocionais, ainda perdurará perturbado pela pergunta.

Assim, o grande cuidado da busca de si mesmo
está na habilidade em formular a questão.

O receio da resposta as vezes distancia o curioso da pergunta acertada
e este passa parte da vida exercitando a interrogação errada.

Não há o que se preocupar; é quase uma máxima...
Ninguém quer de verdade saber a resposta...
É uma fábula que habita o inconsciente coletivo.

Quando buscamos o significado das nossas "próprias coisas"
o que normalmente achamos é um pouco de nós mesmos....
E nem sempre o que vemos nos é agradável aos olhos.

Neste sentido permanecemos insistindo em errar no questionamento
e seguimos com as vendas nos olhos, alheios ao que realmente somos.

O convite provocador que sempre fica no ar
é o seguinte:
Qual é sua pergunta? Você já fez ela hoje?

Inquirições!?

domingo, 13 de novembro de 2011

Menestrel

Abre as portas, do meu rancho aurora
Fui ouvir lá fora a manhã gritar
Vem serenata
Que é chegada a hora
De partir ligeiro
Para o amor cantar

"Brisa ponteava
Cordas sublimes
De uma viola
Toda ao amanhecer"

Montei no potro
Sonho douradio
Campeando ansioso
Querenças de amor

Cavalguei nos raios
Olhei luz do Sol
A rédeas soltas
Procurando ter:
Braços alados e as mãos pensantes
Todo andança, só para ter ver.

Semeei sorrisos
Para um fiangre largo
Na moxi lavados
Perdido de amores
Nem mais de meio, meio caminho andado
Briguei com as horas pro tempo correr

" E eu ja posso agora, ser Simão ou Pedro; senão da Silva
Pois agora, agora vou sorrir"

Vou ser a chuva atirada do céu
Ou ser o dono da rosa abriu
Num jardim azul
De uma poesia
Em braços de seda
E beijos de mel

Vou dar agora
Versos a menina
Morena viola
Vou ser menestrel.

Angelo Antonio (canta em "Ovelha Negra" novela dos anos setenta/oitenta)
Simplesmente maravilhosa a poesia

domingo, 2 de outubro de 2011

O Elefante

" Com as desculpas ao grande escritor Drumond de Andrade, ousei fazer também o meu Elefante"

Faço um Elefante.
De pedaços de coisas, caixotes, madeira velha;
De restos de sentimentos, desejos.
Uso algodão e restos de panos e bandagem e esparadrapos.
Monte de pregos, sarrafos.

Seus fortes pés de cimento; carcaça forte de meu viver.
As pernas com madeira velha, como velhos são meus sonhos.
O corpo rijo de emoções contidas faço de caixotes e pregos
para fotalecer meu corpo de madeiras fracas, de sentimentos volúveis.

Preencho meu corpo - caixotes - de algodão, lágrimas
Sensíveis de meu interior sempre ferido.
Cubro o corpo com bandagem e cerco-a com esparadrapo
como fechadas são minhas ações.
Dos restos de panos, construo a trombra,
Desigual e amorfa como meu ser interior se sente.

Feito meu Elefante, falta a cauda, por onde me seguram, me privam
E por isto, meu Elefante fica sem cauda;
Por que ele vai sem censura, titubeante, mas seguro por si, se não, de si.

Pronto, meu Elefante sai e com ele me vou;
Minhas emoções, meus objetivos, minhas afeições, meus medos;
Atravessa nas praças cambaleante, sem direção definida
Sem passos certos, sem horizontes concretos.

Eu e meu Elefante - nos passos, semelhantes - no objetivo, congruentes;
Mas na vida, diferentes; no viver inseguro deste Elefante.

E então, meu Elefante no final da tarde, volta.
Depois de ter mostrado sua forma amorfa, seu corpo balofo e desleixado,
sua personalidade indefinida, seu peso rastejante pelas suas composições
se esfacelando a cada tombo;
A cada passo mal dado, a cada comida mal ingerida, de um pensamento mal formulado.
E aí, caindo a tarde ele vem em passos pesados, cabeça baixa,
sem estrutura, sem elegância, mas meu Elefante volta
Derrotado, porém sempre para dentro de si, por si mesmo.

E entrando a noite, peça por peça desmonto meu Elefante
E ai me vou destruindo no íntimo numa carência insustentável.
E minha cauda se foi para sempre com o meu Elefante
Sua trombra, seu corpo, seu trejeito
Meu Elefante...

Agosto de 1987

domingo, 7 de agosto de 2011

Espera

O corpo singra de forma desordenada
Indo de um canto a outro da imaginação.
O mesmo se repete sem consciência da percepção no foco material,
Mas isto não quer dizer nada!

Não se dá conta do tempo
E quando o que se espera está perto
Parece uma eternidade a aproximação...
Angústia e um misto de desejo inunda a mente perturbada.

O estímulo e a busca se confundem e
mostra o caminho a seguir.
A educação; aquela que insiste em tornar tudo mais difícil nestes casos
Fazem o principio da angústia aumentarem à medida que o desejo aumenta.

As horas tripudiam sobre o pensamento
E dobram ininterruptamente a vontade
Daquele que deseja....
E o peso do cansaço arqueia o corpo que desvanece.....em sonhos!

Corpo inerte, absorvido no lusco-fusco
da inconsciência, não percebe a distância entre
o desejo e a consequência...
Até que o despertar se apressa a chegar...

Mas não vem só.
Acompanha-o o motivo da angústia.

E como se fosse a próxima cena do sonho...
Impulsiona-o o desejo à excitação matutina.
Descrever o que vem a seguir seria pecar contra a poesia,
atacá-la sem piedade em sua crueza e doçura.

Mas o que pode se dizer
É que o corpo que sofrera
Não mais teme a ansiedade e o murmúrio da dor entre as vísceras...
Agora aconchega-se a direita no motivo da angústia e mais uma vez se entrega ao cansaço.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Troços e traças.

Dia destes me peguei mexendo em coisas velhas!
Todas traziam um que de mofo, bolor ou mesmo de poeira.
Estava em meu sótão pessoal.
Nele esconde-se todas as mazelas de minh'alma
todas as tristezas de uma vida inteira;
todas as maledicenças que um dia pensei;
todas as frustrações que senti e experimentei;
todos os insucessos que vivenciei;
todos os foras que levei;
todas os amores que perdi.

Como não pude deixar de notar
ali estava todo o peso que levo em minha bagagem.
Pesada e densa como a vida deveria ser;
arqueada e desorganizada como qualquer quarto de despejo.

Mas não desanimei. Peça por peça
fui remexendo em tudo. Rinite a parte, o que sentia em cada objeto era indizível!
Cada pedaço, cada coisa que tocava tinha significado;
Cada espaço que revirava, trazia à lembrança intensidade e deleite;
mesmo que tenha sido de sofrimento, porque pertencera a mim.

Demorei horas como sempre um faxina tem que ser;
Mas de certo não terminei.
Porque mexer em troços e traças drena energia,
desvanece, emsimesmece, e por vezes entristece.

Desci do sótão.
Lembrei que além dele, havia meu porão...
Uma onda de temor rompeu meu devaneio...

Se no sótão descrobri troços e traças.....



29 de junho de 2011 - 22h29m
Guilherme Dias

sábado, 11 de junho de 2011

Devaneios de outono.

Dia destes me peguei fugindo!
Nem sabia para onde, mas parecia ser o certo a fazer.
Corpo parado, mente a quilômetros de onde ele estava.
Como é maravilhoso o imaginário!

Não fui longe, mas o bastante para não me ver mais;
para não conseguir me seguir até lá...
Onde, nem mesmo sabia;
mas preferi não imaginar onde seria, para não seguir-me.

O lugar para onde fui não é possível descrever...
Revelaria-me muito intensamente e intimamente...
Mesmo se fosse com poucos detalhes...
Seria descoberto por aqueles que também foge!

Durou pouco a fuga.
Tempo suficiente para investigar um pouco mais do meu eu;
Explorar as possibilidades de meus sentimentos;
Aproveitar um pouco mais de mim mesmo!

As imagens e situações singravam com tanta velocidade
que só imaginando, para vê-las, entendê-las;
Somente sendo parte deste todo que sou eu e de repente do nada:
Abri os olhos!

Guilherme Dias
11 de junho de 2011 - 21h09 (uma noite fria de outono, toca na cabeça e o pensamento regado, creiam a música de balada.rsss)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rosa

Ponta de facão.
Luz de prata nos olhos: medo.
Assim é o desprazer. Quando aprende o manejo do corte,
Menino, aprende a se defender.

Arraia, a praia, o gozo.
A vida, o sopro, o sorriso.
A frase, o gesto.

Quando o menino aprende, ele vive.
Vai menino, que teu medo acabou;
Busca no meio do céu, a pipa, a alegria
Que a vida roubou.

Guilherme Dias -
1992

sábado, 28 de maio de 2011

Devaneios numa tarde qualquer de verão.

Cai a tarde.
Os olhos semicerrados revelam o peso
Que preenche duramente a linha do tempo.

Pálpebras pesadas então,
O corpo deixa-se adormecer languidamente.
Um último suspiro faz o anúncio.

O que parecia ser algo duradouro
Acaba-se como num átmo.
Num sobressalto de rigidez, a luz volta intensa às retinas cansadas.

E assim, corpo e pensamento
Permanecem singrando entre
O dia e a noite interior.

Mas, o que é rígido, é rígido.
E corpo, e pensamento enganam
A linha do tempo. Até quando?

E margeiam a vida e a labuta
Que incessantemente os provoca
Tal qual a morte faz à vida.

Um som surdo alerta:
O coração bate até o último suspiro
E ardor das manhãs anunciadas pelo inimigo vil: o tempo.

Guilherme Dias

13/10/2007.

domingo, 22 de maio de 2011

Círculos de criança.

Círculos povoam o olhar da criança
Uma dança quase voluptuosa enche-lhe
E extasia-lhe por dentro e por fora.

Oferece-lhe, a vida, um rico banquete.
Regado a alegrias simples de uma tarde agradável;

Dum sonho alimentado em conversas
Ora realistas demais, superegóicas;
Ora Id otas demais!

Mas a criança não se importou muito.
Com o pai posto à sua frente
E sem pudor, sem um pingo de censura, refestelou-se.

Sorriu a sorrisos largos,
Suspirou longamente e por fim,
Deixou-se levar pela doce preguiça vespertina.

Mas a criança já tem olhos de adulto,
Ares de adulto e pior,
A cela particular que todo adulto constrói em volta de si.

Desperta da preguiça serena
E olha os outros círculos que povoam o seu olhar;
E uma lágrima triste molha o seu rosto.


Guilherme Dias

13/07/2007